ENTREVISTA – GILBERTO MARTINS

ENTREVISTA – GILBERTO MARTINS

Blog Alto Rio Negro: Candidato, conte um pouco sobre sua experiência política.
Gilberto Martins – Disputei a eleição de 1985 como candidato a prefeito de São Gabriel, tão logo o Munícipio deixou de ser área de segurança nacional. Em 1.992 fui eleito vereador de Manaus e exerci o mandato completo até 1996.Em 2008 disputei a eleição como candidato a vice-prefeito.

Blog Alto Rio Negro: Quais suas principais propostas para São Gabriel?
Gilberto Martins – Minha convicção é que a cidade precisa traçar um norte para se desenvolver, tipo   criar um “Fórum Mostrar Caminhos”, e debater com a sociedade organizada meios de sobrevivência ,levando em consideração um plano de metas a curto, médio e longo prazo. Criar um novo modelo de economia  focando nas nossas vocações  com capacitação profissional de jovens e geração de empregos.Apostar no setor primário,no artesanato.Arborizar a cidade,torna-la mais humana com a construção de áreas de lazer,investir numa nova orla desde a Ponta do Cururcuí,passando pela criação do Pier do Jaú até a Praia Grande entre as academias ao ar livre e muitas outras que se fossemos  enumerá-las precisaríamos de um espaço maior.

Blog Alto Rio Negro: Existe algum governo no mundo, hoje, que pode ser considerado um modelo?
Gilberto Martins – Seria utopia fazer relação com alguma cidade do mundo e implantar aqui,uma vez que prá nós falta de um tudo:saneamento,saúde básica,agua tratada,moradia digna,alimentação,assistência social etc.Mas podemos aproveitar o que já foi feito e desenvolver   modelo próprio,amazônico,com bons parques,muitas arvores,boas praças num ambiente bem nosso,bem verde.Agora,tudo pode ser feito com transparência do dinheiro público,com acesso imediato de como o recurso está sendo aplicado.

Blog Alto Rio Negro: Qual livro esta lendo ou qual foi o último que leu?
Gilberto Martins – To lendo A Ponte, Vida e Ascensão de Barack Obama, reli Quem Mexeu No Meu Queijo eli também Pontos de Decisão,de George W.Bush

Blog Alto Rio Negro: Como se informa no dia-a-dia? Jornais, revistas, internet?
Gilberto Martins – Jornais,infalível;internet,revistas as vezes.

Situação do Registro
APTO
(Deferido)
Registro de Candidatura - Prefeito (SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA / AM)
Nome para urna eletrônica: GILBERTO MARTINS Número: 45
Nome completo: SEBASTIÃO GILBERTO DOS SANTOS MARTINS Sexo: Masculino
Data de nascimento: 08/12/1950 Estado civil: Casado(a)
Nacionalidade: Brasileira nata Naturalidade: SANTA ISABEL DO PARÁ / PA
Grau de instrução: Superior completo Ocupação: Jornalista e Redator
Endereço do site do candidato:

Partido: Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB – (45)
Coligação: NOVA SÃO GABRIEL, A CIDADE DE TODOS
Composição da coligação: PR / PSDB
No. processo: 139-55.2012.6.04.0019 No. protocolo: 234702012
CNPJ de campanha: 15.994.099/0001-61 Limite de gastos: Sobre limite de gastos de campanha 500.000,00

Eleições 2012 – São Gabriel da Cachoeira

O blog Alto Rio Negro a partir de amanhã 02/08/2012 abrirá espaço para os candidtos a prefeito de São Gabriel da Cachoeira para que os mesmos falem um pouco de sua trajetória e como podem contribuir para que a cidade possa ter uma melhor perspectiva futura.


Encontramos uma grande dificuldade de entrar em contato com os políticos já que os mesmos não declararam em suas inscrições ao TRE seu endereço eletrônico. #FicaDica que vivemos na era da informação e tal ação é básica. Com isso fizemos buscas em sites e conseguimos parcialmente os e-mails.

Perguntas: Entrevista com candidatos ao cargo de Prefeito de São Gabriel da Cachoeira.

Blog Alto Rio Negro: Candidato, conte um pouco sobre sua experiência política.
Blog Alto Rio Negro:
Quais suas principais propostas para São Gabriel?
Blog Alto Rio Negro: Existe algum governo no mundo, hoje, que pode ser considerado um modelo?
Blog Alto Rio Negro: Qual livro esta lendo ou qual foi o último que leu?
Blog Alto Rio Negro: Como se informa no dia-a-dia? Jornais, revistas, internet?

Se você é candidato ou faz parte de algum comitê e não recebeu o questionário entre em contato: altorn@sopixel.com.br

 

Programa forças no esporte vai aumentar participação nas fronteiras do país

Onze mil crianças e adolescentes moradores de municípios da faixa de fronteira do Brasil  serão beneficiados no próximo ano com as ações do Programa Forças no Esporte (Profesp), coordenado pelo Ministério da Defesa. A meta a longo prazo é chegar a 80 a 100 mil jovens.

O programa atende as regiões fronteiriças, como é o caso de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, informou o secretário de Pessoal, Ensino, Saúde e Desporto do Ministério da Defesa, almirante-de-esquadra Julio Saboya de Araujo Jorge, que participou na última semana de uma reunião com os coordenadores, no ministério. Naquele  município, já estão participando 100 meninos e, no ano que vem, as meninas também vão entrar, segundo o secretário.

De acordo com o almirante, é preciso ter cautela quanto à implementação do Forças no Esporte nas áreas isoladas do Brasil. Ele alerta que, para o projeto ser implementado, as regiões devem cumprir três exigências básicas como ter uma escola, uma organização militar com estrutura para receber as crianças e disponibilizar profissionais qualificados para trabalhar com desporto infanto-juvenil.

Para o presidente da Comissão Desportiva Militar do Brasil, general-de-divisão Fernando Azevedo e Silva, o Forças no Esporte tem um apelo muito bom. Ele explicou que o Ministério do Esporte já fez levantamento das localidades que possuem estrutura escolar próximas à aérea de fronteira, onde estão situadas organizações da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.

O gerente do programa, coronel Augusto Cesar Amaral, apresentou o balanço da iniciativa durante a reunião e expôs as metas de trabalho para o triênio 2013/2015. Este ano, o cronograma de atividades do projeto vai de julho ao dezembro.

Ao todo, serão beneficiados cerca de 11 mil participantes, de 7 a 17 anos, em 58 municípios brasileiros, que contam com a estrutura de 85 organizações  militares (10% no Norte, 25% no Nordeste, 19% no Sul e 27% no Centro-Oeste).

A previsão para o início da ação nas fronteiras é em março de 2013. A pasta do Esporte deve investir mais de R$ 13 milhões para a melhoria de infraestrutura das unidades militares que receberão o programa.

Forças no Esporte

O Profesp é uma iniciativa voluntária desenvolvida pelo Ministério da Defesa, com o apoio das Forças Armadas e com recursos dos Ministérios do Esporte e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).

Somente este ano, o Esporte disponibilizou mais de R$ 2 milhões para a compra de material esportivo e contratação de profissionais e o MDS contribuiu com 4 milhões para auxílio alimentação dos meninos e meninas.

Desde 2003, o projeto tem beneficiado crianças, jovens e adolescentes que vivem em área de vulnerabilidade social. O objetivo da iniciativa é promover a integração social e a saúde; prevenção à doença, à marginalidade e à violência, por meio de atividades físicas e de lazer.

Fonte: Ministério da Defesa

TRE rejeita uma candidatura em São Gabriel

O juiz eleitoral de São Gabriel da Cachoeirarejeitou uma das candidaturas a prefeito. O candidato Antônio da Silva Campelo (PT do B) teve a candidatura negada juntamente com o seu vice, o professor Antenor Araújo Viana (PT do B).  Antônio registrou como bem pessoal apenas um galpão no valor de R$ 100. Ele também podem recorrer.

Um candidato a prefeito de São Gabriel da Cachoeira terá que recorrer ao TRE-AM para poder disputar à eleição.

Em São Gabriel da Cachoeira outros oito candidatos concorrem à eleição. Quatro deles já foram julgados e considerados  aptos para serem votados: Geraldo Ferreira (PTC), José Benedito (PRTB), Pedro Garcia (PT) e Gilberto Martins (PSDB).

Partido Verde lança candidatura própria à prefeitura de São Gabriel da Cachoeira (AM)

O Diretório Municipal do Partido Verde de São Gabriel da Cachoeira (município a 852 quilômetros de Manaus), em convenção neste final de semana, apresentou sua candidatura própria. Anunciou o nome de André Baniwa, à prefeitura, e de Miguel Baré, a vice, além de homologarem a participação de sete candidatos ao cargo de vereador.

André Baniwa avaliou sobre a situação que passa o município, defendendo propostas do partido. Disse que a sua missão maior será provar que “índio sabe governar”.

“Sou mais indígena e vamos falar muito sobre este povo durante a eleição. Vamos lutar em prol do crescimento de São Gabriel, valorizando o povo, suas culturas e costumes, que são a maior riqueza do município”, declarou.

Os candidatos a vereadores fizeram discursos defendendo o programa do Partido Verde para São Gabriel da Cachoeira e declaram compromissos para lutar por direitos indígenas e cidadãos grabrielenses, destacando-se o direito da mulher pelas candidatas.

Amazonas tem 59 ex-prefeitos inelegíveis

Cinquenta e nove ex-prefeitos de municípios do interior do Amazonas fazem parte da lista de gestores com contas reprovadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) que foi entregue, ontem, à presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia. A relação servirá de base para o Ministério Público Eleitoral (MPE) contestar registros de candidaturas.

Segundo a Lei de Inelegibilidades, não podem concorrer à eleição os que tiverem as contas rejeitadas por irregularidade insanável e que configure ato doloso de improbidade administrativa, por decisão irrecorrível. Essas pessoas não podem se candidatar nas eleições que se realizarem nos oito anos seguintes à data da condenação.

Os ex-prefeitos de São Gabriel da Cachoeira Amilton Gadelha e Raimundo Quirino estão na lista.

Projeto de lei pode liberar garimpo em Terras Indígenas

O PL nº 1610/96 foi o tema do debate convocado pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), em São Gabriel da Cachoeira, no último dia 10, tendo como convidados deputados integrantes da Comissão Especial de Mineração em TIs da Câmara Federal que analisa a matéria. A organização indígena reivindica em documento que as populações afetadas sejam consultadas e que seus direitos sejam garantidos
 

A Comissão Especial da Câmara dos Deputados que analisa o Projeto de Lei nº 1.610/96, que regulamenta a mineração em TIs (Terras Indígenas), deu novos sinais de que deverá se posicionar a favor da liberação do garimpo nessas áreas.

Durante seminário realizado em São Gabriel da Cachoeira, noroeste amazônico, em 10/5, o relator da proposta, deputado Édio Lopes (PMDB-RR), defendeu a possibilidade de exploração econômica do solo de TIs por terceiros, além das comunidades indígenas, apesar de a Constituição garantir a elas o usufruto exclusivo. O deputado afirmou que, se constituírem empresas, garimpeiros poderiam explorar as riquezas minerais do solo de TIs.

Realizado a convite da Foirn (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), o evento pretendia mostrar como está sendo feita a análise do PL e colher subsídios para a elaboração do relatório sobre a matéria, que deve ser concluído ainda este ano.

A grande maioria dos que falaram pela Comissão era de representantes do setor minerário favoráveis à abertura das TIs à exploração de minério. Estiveram presentes integrantes do DNPM (Departamento Nacional de Pesquisa e Mineração), Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) e da Aprogram (Associação de Profissionais Geólogos do Amazonas). Deputados estaduais e integrantes de cooperativas de garimpeiros também defenderam a mineração nas TIs. O Procurador da República no Amazonas, Eloi Francisco Zatti Faccioni, foi o único convidado a falar em defesa dos direitos das comunidades indígenas. Antes do seminário, a Aprogram espalhou faixas pela cidade com os dizeres “Yanomami apoiam mineração em TIs”, sem autorização das organizações indígenas.

DA esq. para a dir: Abrahão França da Foirn, os deputados estaduais Wanderley Dallas, (PMDB/AM) e Vera Lucia Castelo Branco (PTB/AM); dep. Édio Lopes, relator do PL (PMDB/RR); dep. Padre Tom (PT/RO), presidente da Comissão; Procurador da República Eloi Francisco Zatti Faccioni; Bonifácio Jose, Secretario de Estado para Povos Indígenas do Amazonas; João Frederico Cruz, do DNPM e Marcelo Ribeiro Tunes, diretor de Assuntos Minerários do Ibram.

Na abertura do evento, o presidente da Foirn, Abrahão Oliveira França, lembrou que a intenção do convite feito à comissão era discutir uma lei que garantisse os direitos dos povos indígenas. Apesar disso, na véspera, o assessor da Comissão, Frederico Cruz, que também funcionário do DNPM, disse em uma rádio local que o debate serviria como espaço para quem quisesse se manifestar a favor ou contra a mineração em TIs. Por essa razão, muitos participantes limitaram-se a criticar falhas da implementação de políticas públicas na região e defenderam a mineração como alternativa de renda.

Várias faixas de apoio a mineração em Terras Indígenas foram fixadas pela cidade em nome de povos indígenas do Rio Negro sem consultar suas organizações representativas

Nunca é demais lembrar que quando realizado sem fiscalização e condições adequadas, o garimpo pode provocar impactos socioambientais graves. A atividade tende a ser foco de migração descontrolada, doenças contagiosas, violência e prostituição. Principalmente na Amazônia, ensejou invasões, conflitos e mortes entre populações indígenas. O caso do garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami é um bom exemplo disso. Os Yanomami convivem até hoje com o garimpo ilegal em seu território, sempre assombrados pelo massacre de Haximu, ocorrido em 1993, quando mais de uma dúzia de garimpeiros, acompanhados de pistoleiros profissionais, em busca de ouro, assassinaram com requintes de crueldade 16 índios Yanomami.

Foirn

Durante o seminário, o diretor da Foirn, Maximiliano Correa Menezes, afirmou que a nova lei deveria estabelecer em que condições poderá haver mineração nas TIs e quais os casos em que ela não deverá ocorrer. Menezes mencionou que o tema é tratado na proposta de Estatuto dos Povos Indígenas (PL 2.057/91) que foi discutida na CNPI (Comissão Nacional de Política Indigenista) e também tramita na Câmara. Ele ressaltou que o movimento indígena defende que a regulamentação do assunto seja detalhada nessa proposta, e não em um projeto específico.

A Foirn entregou um documento ao relator Édio Lopes e ao presidente da Comissão, Padre Tom (PT/RO), em que apresenta subsídios para a elaboração da nova lei e reitera o pedido para que seja feita uma consulta aos povos indígenas do Rio Negro quando o relatório ficar pronto (Leia aqui o documento na íntegra).

A Foirn reivindicou que não basta conhecer o relatório, mas deve haver tempo hábil para analisá-lo e discuti-lo com as comunidades indígenas. A expectativa é de que a posição das organizações indígenas seja considerada pela Comissão.

Durante o seminário, vários participantes afirmaram desconhecer o conteúdo do relatório. Lopes e Padre Tom comprometeram-se a retornar a São Gabriel para apresentá-lo quando ele estiver pronto.

Padre Tom afirmou que o governo federal não pretende votar o PL nº 2.057 porque não teria condições de aprovar, com sua base parlamentar, um texto favorável aos povos indígenas. Segundo o deputado, no entanto, a perspectiva é que o projeto sobre a mineração em TIs seja votado ainda neste ano.

Usufruto

Segundo a Constituição, o usufruto das riquezas do solo das TIs é exclusivo dos índios e a atividade garimpeira por terceiros é proibida nessas áreas. A exploração do subsolo pode ser feita por concessão da União.Lopes argumenta que a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a demarcação da TI Raposa-Serra do Sol (RR) permitiria a exploração do solo das TIs por terceiros, incluindo garimpeiros se constituídos em empresas.

No texto das condicionantes incluídas na decisão em relação à´Raposa-Serra do Sol, o falecido ministro Menezes Direito afirma que “o usufruto dos índios não abrange a garimpagem nem a faiscação, devendo, se for o caso, ser obtida a permissão de lavra garimpeira”.No julgamento, no entanto, o relator do processo, ministro Ayres Britto, tratou as condicionantes como salvaguardas que apenas serviriam para orientar futuras decisões do STF, uma vez que não foram submetidas a contraditório. Assim, elas não reconheceriam ou criariam direitos para terceiros.

A condicionante também não respaldaria restrições ao usufruto exclusivo dos índios porque estaria relacionada apenas à necessidade de submeter uma atividade que explora recursos da União à autorização de órgão federal competente.

Consulta

Em reunião com a Foirn, Padre Tom afirmou que não caberia ao Congresso Nacional fazer consulta sobre o projeto de lei, conforme determina a Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho). Para o parlamentar, é o governo quem tem de realizar as oitivas. De acordo com o deputado, o entendimento que prevalece na comissão é o de que uma consulta pelo Parlamento deveria ser feita já para autorizar a exploração de acordo com o que determina o Artigo 231 da CF.

A Constituição, porém, define que isso deve ser feito só depois que uma lei específica regulamentando o tema for aprovada. Por outro lado, a Convenção 169 da OIT é clara ao determinar que as populações indígenas devem ser consultadas tanto sobre medidas administrativas, referentes ao Poder Executivo, quanto medidas legislativas, referentes ao poder legislativo. A consulta prévia foi o tema da primeira oficina que o governo federal realizou em março deste ano com indígenas de todo o País. ( saiba mais).

O procurador Eloi Francisco Zatti Faccioni alertou que o PL deve regulamentar a mineração em TIs como uma atividade excepcional, a ser realizada no interesse nacional.

Para ele, a proposta deve garantir a consulta aos afetados antes do Congresso autorizar a atividade, caso a caso. Também precisa contemplar a recuperação de áreas degradadas, compensação pelo uso do solo, medidas de fiscalização da atividade mineral, controle social por parte das comunidades e representações indígenas.

 

 

ISA, Instituto Socioambiental.

Tarianas do AM são primeiras enfermeiras indígenas

“Quando eles dizem que está doendo o coração, na verdade, estão se referindo ao estômago. Quando é dor no coração mesmo, eles apontam o peito”. É assim, com a propriedade de quem tem conhecimento sobre a língua e a cultura de seu povo, que a recém-formada em Enfermagem pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Maria Rosineite Feitoza, 39, quer dar sua contribuição ao atendimento à saúde indígena na região do Alto Rio Negro. Já Eufélia Lima, 26, quer quebrar paradigmas. “Estamos mudando o estigma de que o indígena, quando se forma nunca volta para a comunidade. Esta é a nossa oportunidade de mostrar que o indígena pode fazer um trabalho diferente nas comunidades. Acho que a palavra é compromisso”, diz Eufélia. Ambas partilham a vontade de aliar o conhecimento que adquiriram na graduação durante quatro anos à vivência anterior, quando uma trabalhava como técnica de enfermagem e outra atuava como auxiliar de odontologia. Maria Rosineide Feitoza e Eufélia Lima são as primeiras recém-graduadas indígenas em Enfermagem pela UEA – e, provavelmente, do Estado do Amazonas. Ambas são da etnia tariana. Em Manaus Durante quase cinco anos viveram em Manaus, no período da graduação, mas em dezembro retornaram à sua cidade natal, São Gabriel da Cachoeira, onde já estão trabalhando como enfermeiras e funcionárias do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) do Alto Rio Negro, órgão vinculado à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Governo Federal. No mês passado vieram novamente a Manaus, desta vez para participar da colação de grau. No retorno à sua terra de origem, as duas se depararam com o orgulho de parentes indígenas, mas também notaram um clima de grande expectativa. “A nossa responsabilidade aumentou, mas agora podemos mostrar que indígena também tem capacidade”, diz Eufélia. Etnia soma 2 mil pessoas que vivem no Alto Rio Negro. Juramento na língua mãe Aos 39 anos, Maria Rosineide Feitoza entrou na faculdade em 2007. Ela já tinha experiência como técnica em enfermagem, atuando como funcionária da Prefeitura de São Gabriel da Cachoeira. Embora tenha nascido na sede do município, a família é natural de Uruguara, no rio Uaupés, onde se concentra a maioria da população da etnia tariana. O ingresso na faculdade aconteceu em 2007. “Eu já era técnica em enfermagem, mas sentia necessidade de aprender mais. Sempre gostei da área. Agora, retornando para o Alto Rio Negro, a gente volta com mais responsabilidade porque as pessoas apostam no nosso trabalho”, comenta. No juramento durante a colação de grau, ela fez questão de responder ao juramento em Tukano oriental. “Tothá Weotí”, declara. Desde que assumiu, no final de 2011, a função de enfermeira no Pólo Caruru do rio Tiquié, Maria Rosineide já visitou várias comunidades e sentiu o “orgulho” dos outros indígenas e a empolgação dos mais jovens. Maria Rosineide também atribui o conhecimento na língua tukano o grande diferencial de seu trabalho em relação aos outros profissionais, bem como a disponibilidade e a familiaridade com os costumes das comunidades. “Acho que isto facilita a comunicação. A maioria dos indígenas não entende o português”, explica. Outro costume que muitos profissionais não compreendem, segundo a enfermeira, é o ritual pré-parto que as grávidas realizam. “Tem cultura que sempre faz esse ritual, mas o profissional de saúde não consegue entender”, diz. Os índios da etnia Tariana estão estimados em 2 mil pessoas no território brasileiro (há índios desta etnia que vivem na Colômbia), segundo dados de 2008 da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). A maioria da população vive às margens do rio Uuapés, afluente do Negro. A língua tariana é de origem aruak, embora a maioria fale o tukano oriental (que envolve 16 línguas). Indígenas de outras etnias do Alto Rio Negro também falam tukano oriental, como os Pira-tapuia, os Tuiuca e os Dessana. O Distrito de Iauretê é considerado um grande centro de ocupação tradicional dos tariano, com aproximadamente três mil pessoas de diferentes etnias. No local estão missionários salesianos e um pelotão de fronteira do exército construído nos anos 80 pelo projeto Calha Norte. Na região está localizada a Cachoeira de Iauaretê (ou Cachoeira da Onça), banhada pelos rios Uaupés e Papuri, que em 2006 foi tombada como patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), devido à sua relevância sagrada para os povos indígenas.

Cardeal Hummes: “Evangelizar com sustentabilidade”

Cidade do Vaticano (RV) – A pastoral com a população indígena, o desafio das seitas e a promoção do apostolado laical são apenas alguns dos desafios enfrentados pela Igreja no Brasil na região da Amazônia. Mas o desafio mais importante é a pastoral num território imenso, às vezes impenetrável, de milhares de pequenas aldeias. Uma das maiores dificuldades é a pastoral com a população indígena.

Encarregada desta missão é a Comissão Episcopal para a Amazônia, criada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB, e confiada ao Cardeal Cláudio Hummes, prefeito emérito da Congregação para o Clero.

Entrevistado pelo Programa Brasileiro, Dom Cláudio relevou a importância da preservação da identidade cultural, da defesa das terras reservadas às tribos e do respeito aos seus direitos humanos. Para ele, o fundamental é evangelizar, sim, mas com sustentabilidade e, sobretudo, respeito pelos povos nativos.

“Dia 25 vou estar em São Gabriel da Cachoeira, bem no norte do Amazonas, visitando a diocese, porque eles vão inaugurar uma fazenda da esperança, para os dependentes de álcool entre os índios, que é um problema muito grande naquela região, infelizmente. Também quero visitar outras dioceses da área, mas, sobretudo na Assembleia Geral da CNBB, que será depois da Páscoa, já convocamos os Bispos da Amazônia, teremos uma grande reunião com a Comissão, para primeiramente ouvi-los. O que esperam desta Comissão? Começaremos a abordar assuntos específicos porque a Amazônia, como todos sabem, é uma região muito particular, tem particularidades que não se deveriam ser destruídas. O risco é que se trate a Amazônia como qualquer outra parte do Brasil ou do mundo”.

“Como levar o desenvolvimento à Amazônia? O desenvolvimento deve preservar, ser oferecido aos índios, e não imposto. No entanto, eles têm direito a que se lhes ofereça o desenvolvimento moderno, na medida e no ritmo em que o quiserem; sem lhes impor, e menos ainda destruir, mas que eles assimilem e façam seu desenvolvimento a partir daquilo que é oferecido pela comunidade mundial e brasileira em termos de progressos econômicos, científicos e técnicos. Eles devem ser sujeitos desta história”.

“Quanto à Igreja, é a mesma coisa: como a Igreja vai se inculturar na região?. Existem aqueles que defendem o direito dos índios, importantíssimos, e outros que defendem a evangelização direta, mas as duas coisas são as duas pernas com que se deve andar. Não se pode caminhar com uma perna só, seria prejudicial para os próprios índios. A Igreja de fato, se torna cada vez mais consciente, e eles também. Estas são as coisas que devemos trabalhar e ajudar”.
(CM)

Rede de escolas Baniwa Coripaco lança publicação O que a gente precisa para viver e estar bem no mundo

Uma pesquisa intercultural sobre uso e conservação de ambientes realizada pela rede coordenada pela Escola Pamáali, acabou transformada no primeiro volume da série Kaawhiperi Yoodzawaaka. A publicação foi apresentada por alunos e professores indígenas, na última sexta-feira (2/3), em São Gabriel da Cachoeira.
A publicação aborda assuntos relacionados ao manejo de recursos e ambientes importantes para viver e estar bem no mundo. O trabalho, que reúne 13 monografias de alunos de ensino médio da Escola Pamáali, iniciou-se em 2005 e contou com a colaboração de inúmeras pessoas ao longo do processo de construção. A Rede de Escolas Baniwa e Coripaco, idealizadora da experiência, é formada atualmente por 13 escolas de ensino fundamental completo.

O que a gente precisa para viver e estar bem no mundo já tinha sido lançado Escola Pamáali, no Médio Rio Içana, em novembro 2011. Entretanto, a coordenação da escola e a diretoria da Associação do Conselho da Escola Pamáali (Acep), consideraram importante a divulgação na sede do município de São Gabriel da Cachoeira, e organizaram o lançamento no espaço público do ISA no último dia 2 de março.

Além de representantes das instituições parceiras como a Foirn, o ISA, a Organização Indígena da Bacia do Içana (Oibi), também prestigiaram o evento representantes do Departamento de Educação Escolar Indígena da Secretaria Municipal de Ensino e Cultura de São Gabriel, a imprensa local, representantes das comunidades Baniwa e Coripaco e o público em geral.

O presidente da Acep, Juvêncio da Silva Cardoso e Laise Lopes Diniz, assessora do ISA, representaram os organizadores da publicação e contaram a história da produção do livro. Convidados especiais como André Baniwa representando a Oibi e Abraão Oliveira França, diretor-presidente da Foirn, falaram sobre a importância de publicações que reúnam o conhecimento indígena do Rio Negro e ressaltaram que a Foirn e a Oibi são os principais parceiros na publicação.

A coleção

De autoria de alunos do ensino médio da Escola Pamáali e do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Kalikattadapa (CEPDEK) as fichas (uma para cada monografia) foram organizadas pelos professores Juvêncio da Silva Cardoso e Alfredo Feliciano, com a colaboração dos assessories do ISA, Adeilson Lopes da Silva e Laise Lopes Diniz.

Cada uma das 13 monografias tem uma ficha

Os 13 temas de pesquisas foram orientados por uma questão central formulada ao longo do processo de discussão com diferentes pessoas e entre os pesquisadores: o que é necessário para viver e estar bem na região do Içana [no mundo].

O nome dado à coleção, Kaawhiperi Yoodzawaaka, significa em língua baniwa a vitalidade e a interdependência entre os diferentes seres, objetos, ambientes, bens, que são importantes para viver e estar bem na Bacia do Içana e no mundo. De acordo com os jovens Baniwa que participaram da elaboração da publicação, o termo escolhido talvez seja a expressão Baniwa-Coripaco que melhor expressa uma relação mais estreita com o conceito de biodiversidade.

A rede de escolas

Em processo de expansão as escolas da rede (13) vivem hoje um processo virtuoso de conexão entre elas, com as organizações comunitárias do Içana e com parceiros externos, buscando acumular experiências de pesquisas interculturais que favoreçam uma articulação entre conhecimentos diversos para fazer frente aos desafios do processo de gestão territorial. A rede pretende lançar a publicação também durante um grande encontro dos Baniwa e Coripaco a se realizar na segunda semana de março em Castelo Branco, no Médio Rio Içana. Pretende assim, levar a discussão para as escolas da rede, para outras escolas e povos da região.

Sem data definida para serem publicadas, as próximas edições da série devem trazer as pesquisas dos alunos Coripaco da Escola Kayakapali, localizada na região do Alto Içana e da Escola Herieni, da comunidade Ukuqui do Rio Alto Aiari. É uma forma de contribuição dos povos do Rio Negro para a discussão das questões importantes referente ao manejo ambiental, além de auxiliar a reflexão sobre mudanças climáticas, tema fundamental hoje. Mais que isso é principalmente,um convite para pensar por um momento sobre O que a gente precisa para viver e estar bem no mundo?

Para comprar acesse o site do ISA. Em breve o download da publicação estará disponível no blog da escola.

(Com informações de Raimundo Baniwa, da Escola Pamáali)

 

 

ISA, Instituto Socioambiental.

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