Carta Aberta sobre a Saúde no Alto e Médio Rio Negro

DIOCESE DE SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA

XXX ASSEMBLEIA DIOCESANA

 

São Gabriel da Cachoeira, 25 de outubro de 2012,

Memória Festiva de Santo Antônio de Sant’Ana Galvão

 

Nós, Igreja do Rio Negro, povo de Deus reunido em Assembleia, entre os dias 22 e 25 de Outubro deste ano, para inculturar à nossa realidade as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadoras (DGAE), volvemos nosso olhar e coração para dura e sofrida realidade vivida pelos povos indígenas desta região no que diz respeito à saúde pública.

 

Desde Janeiro de 2010 o Ministério da Saúde delegou à Secretaria Especial de Saúde indígena (SESAI) a responsabilidade de gerir o orçamento destinado a este estilo particular de atendimento humanitário. Com isso ao Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) espalhados pelo Brasil, foi incumbida a missão de efetivar a aquisição de insumos, medicamentos, gasolina, transporte aéreos, terrestre e marítimo. Para equacionar essa função, o DSEI precisaria estar dotado de uma estrutura de material humano, tais como: Pregoeiros, administradores e contadores. Eles deveriam efetivar essas compras que são feitas de acordo pela Lei geral de licitação através de pregões eletrônicos e/ou licitações. A falta desse capital humano desencadeou uma série de problemas que incidem diretamente na vida das vinte três etnias presentes nas três cidades que compõe a diocese de São Gabriel da Cachoeira (Santa Isabel, São Gabriel da Cachoeira e Barcelos).

 

Desse aspecto decorre que os mais 130 Agentes de Saúde indígenas (AIS), 40 enfermeiros, 15 dentistas, 04 médicos e 80 técnicos de endemias presentes nesta região estão limitados na sua capacidade de atendimento aos povos indígenas. Elementos mínimos como insumos para práticas de saúde básica; medicamentos e até combustível para deslocamento para os pólos de saúde não são adquiridos e o exercício da medicina tanto preventiva quanto emergencial não acontece de modo eficaz.

 

Como Igreja, preocupados que os povos tenham vida plena, exigimos dos órgãos competentes respostas a curto e médio prazo para situação em que se encontra esta oprimida população indígena e ribeirinha. A curto prazo almejamos uma mobilização no sentido de destinar insumos básicos para as equipes de saúde que atuam nesta região que estão impedidos de executar seus serviços rotineiros. A médio e longo prazo pedimos que o Departamento de Saúde Indígena (DSEI) seja dotado de estrutura mínima para o eficaz funcionamento das atribuições que a ele foram conferidas. Assim, esperamos das instâncias constituídas em poder de arbitrar as controvérsias em torno da saúde indígenas uma mobilização ampla para solucionar esse problema.

 

Sob as bênçãos de Santo Antônio de Sant’Ana Galvão, continuamos na caminhada com a convicção de que Jesus Cristo, o pobre  de Nazaré que armou seu Tapiri entre nós, está a nossa frente no combate a toda forma de injustiça na busca da Terra sem  males,  o Reino de Deus.

ENTREVISTA – ANDRÉ BANIWA

ENTREVISTA – ANDRÉ BANIWA

Blog Alto Rio Negro: Candidato, conte um pouco sobre sua experiência política.
André Baniwa – Em 1992 fui eleito segundo Tesoureiro da Organização Indígena da Bacia do Içana. Quatro anos depois fui eleito presidente da OIBI. Assim comecei a trabalhar com as comunidades indígenas do meu povo. Naquela época o Içana era conhecido apenas até Tunui Cachoeira somente por causa da sessão eleitoral. Mas a partir destes anos mencionados acima começamos discutir junto com as comunidades vários projetos Baniwa: Medicina Tradicional Baniwa e Coripaco premiado na Gestão Publica e Cidadania pela Fundação Getúlio Vargas e BNDES em São Paulo de 1998. Começamos também a trabalhar com várias parcerias o projeto Arte Baniwa hoje o mais premiado de projetos indígenas no Brasil. Arte Baniwa é projeto de Produção e comercialização de cestaria de arumã vendidos no Sul do Brasil. Foi difícil, mas foi possível mostrar ao Brasil que aqui existe uma riqueza cultural que precisa valorizada. Arte Baniwa é um empreendimento e uma marca hoje registrada no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual como uma forma de proteção que existe no país.
Outro projeto muito importante foi discussão e criação da nossa Escola Baniwa e Coripaco – EIBC – Pamáali no ano de 2000 começou a funcionar reconhecido. Quando nós começamos tinha menos que 40 escolas primárias no Içana. Com trabalho da associação aumentamos e implantamos o nosso projeto com muito sucesso apesar de muitas dificuldades. Hoje temos várias escolas de ensino fundamental no Içana e Afluentes. Desde de que entrei na OIBI nunca mais as comunidades deixaram eu sair e fiquei até final do ano de 2008 como presidente sempre renovando mandato. Criamos várias associações no Içana e a última foi CABC – Coordenadoria de Associação Baniwa e Coripaco que coordenei também. Fui Presidente do  conselho Diretor da FOIRN, Diretor da FOIRN, Presidente do Conselho Distrital da Saúde Indígena, Presidente do Conselho Municipal de Saúde. Assim passei ajudar a discutir muitos assuntos em nível nacional nas conferencia, seminários e outros por causa de experiências bem sucedidas que precisam aumentar de escala. Por último participei da campanha de 2008 onde fui eleito Vice Prefeito, talvez para não somente coisas positivas não foram bem sucedidas. Por isso é minha participação nesta Candidatura para Prefeito nesta eleição municipal
para retomar e resgatar os projetos paralisados voltado para as comunidades.

Blog Alto Rio Negro: Quais suas principais propostas para São Gabriel?
André Baniwa – Nós temos um programa de governo chamado de “Sou + Indígena Brasil”. Esse nome é uma adequação de políticas de participação e políticas públicas Gestão Municipal de São Gabriel da Cachoeira. Este programa inclui muitas novidades possíveis reais de execução nas diversas áreas sociais de desenvolvimento sustentável.
Mas estamos focando nesta campanha a questão da economia. Criar meios, condições e oportunidades para população ter especo onde escoar a sua produção com valor cultural  agregado. Para isso precisamos criar uma empresa pública, fundação para proteção ao Patrimônio Cultural, pois a partir disso podemos ter programa de turismo para gerar renda; criar
Instituto de Desenvolvimento Sustentável para viabilizar o pagamento por Serviços Ambientais; criar uma fábrica de beneficiamento de frutas nativas para estimular o cultivo com assistência técnica. Estas coisas não existem hoje em São Gabriel da Cachoeira, mas são fundamentais para desenvolver o município, melhorar a vida do povo e aumentar receitas próprias. Esta área de economia vem fortalecer muito a educação indígena, saúde e cultura do município. Entendemos que todas estas se faz quando se tem recurso além dos programas federais e Estaduais.

Blog Alto Rio Negro: Existe algum governo no mundo, hoje, que pode ser considerado um modelo?
André Baniwa – O nosso país é democrático de direito. A democracia no Brasil ainda anda mal apesar de já previsto todos os procedimentos legais no país. As práticas ainda são condenáveis na gestão pública. No dia-a-dia agente vê escândalos e mais escândalos de desvios de recursos no Brasil e aqui no nosso município. A democracia nos Estados Unidos é diferente daqui do Brasil. O processo eleitoral é muito diferente. No Brasil os partidos políticos tem preocupação em apenas ganhar eleição. Muitas sem programas locais. Visitei algumas cidades importantes no Brasil: município de Holanbra cidade turística, São  Carlos e outras cidades fora do país e vejo muitas coisas boas e metodologias podem aproveitadas para nosso município que bem diferentes destes lugares. Vejo que dá para colocar o município em modelo de desenvolvimento sustentável na Amazônia Brasileira, pois aqui existe diversidade muito grande de conhecimento e biodiversidade valoroso ao mundo.

Blog Alto Rio Negro: Qual livro esta lendo ou qual foi o último que leu?
André Baniwa – O livro “Participacion Política Indígena y Políticas Públicas para pueblos indígenas em América Latina”, 2011 – é uma publicação internacional a qual participei com artigo sobre indígenas no Brasil.

Blog Alto Rio Negro: Como se informa no dia-a-dia? Jornais, revistas, internet?
André Baniwa – quando posso vejo internet, sou assinante de revista Isto e Dinheiro. Leio revistas especializadas sobre idéia sustentável e outros livros que falam de experiências de liderança como Nelson Mandela, Discurso de Luter King, Marina Silva e o livro recente da Presidente Dilma.

APTO
(Deferido)
Registro de Candidatura – Prefeito (SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA / AM)
Nome para urna eletrônica: ANDRE BANIWA Número: 43
Nome completo: ANDRE FERNANDO Sexo: Masculino
Data de nascimento: 18/03/1971 Estado civil: Casado(a)
Nacionalidade: Brasileira nata Naturalidade: SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA / AM
Grau de instrução: Ensino Fundamental completo Ocupação: Servidor Público Municipal
Endereço do site do candidato:

Partido: Partido Verde -  PV - (43)
Coligação: Partido não coligado
Composição da coligação: -
No. processo: 61-61.2012.6.04.0019 No. protocolo: 225682012
CNPJ de campanha: 15.966.267/0001-05 Limite de gastos:   Sobre limite de gastos de campanha 2.000.000,00
Ver dados da(s) eleição(ões) de: 2008

ENTREVISTA – GILBERTO MARTINS

ENTREVISTA – GILBERTO MARTINS

Blog Alto Rio Negro: Candidato, conte um pouco sobre sua experiência política.
Gilberto Martins – Disputei a eleição de 1985 como candidato a prefeito de São Gabriel, tão logo o Munícipio deixou de ser área de segurança nacional. Em 1.992 fui eleito vereador de Manaus e exerci o mandato completo até 1996.Em 2008 disputei a eleição como candidato a vice-prefeito.

Blog Alto Rio Negro: Quais suas principais propostas para São Gabriel?
Gilberto Martins – Minha convicção é que a cidade precisa traçar um norte para se desenvolver, tipo   criar um “Fórum Mostrar Caminhos”, e debater com a sociedade organizada meios de sobrevivência ,levando em consideração um plano de metas a curto, médio e longo prazo. Criar um novo modelo de economia  focando nas nossas vocações  com capacitação profissional de jovens e geração de empregos.Apostar no setor primário,no artesanato.Arborizar a cidade,torna-la mais humana com a construção de áreas de lazer,investir numa nova orla desde a Ponta do Cururcuí,passando pela criação do Pier do Jaú até a Praia Grande entre as academias ao ar livre e muitas outras que se fossemos  enumerá-las precisaríamos de um espaço maior.

Blog Alto Rio Negro: Existe algum governo no mundo, hoje, que pode ser considerado um modelo?
Gilberto Martins – Seria utopia fazer relação com alguma cidade do mundo e implantar aqui,uma vez que prá nós falta de um tudo:saneamento,saúde básica,agua tratada,moradia digna,alimentação,assistência social etc.Mas podemos aproveitar o que já foi feito e desenvolver   modelo próprio,amazônico,com bons parques,muitas arvores,boas praças num ambiente bem nosso,bem verde.Agora,tudo pode ser feito com transparência do dinheiro público,com acesso imediato de como o recurso está sendo aplicado.

Blog Alto Rio Negro: Qual livro esta lendo ou qual foi o último que leu?
Gilberto Martins – To lendo A Ponte, Vida e Ascensão de Barack Obama, reli Quem Mexeu No Meu Queijo eli também Pontos de Decisão,de George W.Bush

Blog Alto Rio Negro: Como se informa no dia-a-dia? Jornais, revistas, internet?
Gilberto Martins – Jornais,infalível;internet,revistas as vezes.

Situação do Registro
APTO
(Deferido)
Registro de Candidatura - Prefeito (SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA / AM)
Nome para urna eletrônica: GILBERTO MARTINS Número: 45
Nome completo: SEBASTIÃO GILBERTO DOS SANTOS MARTINS Sexo: Masculino
Data de nascimento: 08/12/1950 Estado civil: Casado(a)
Nacionalidade: Brasileira nata Naturalidade: SANTA ISABEL DO PARÁ / PA
Grau de instrução: Superior completo Ocupação: Jornalista e Redator
Endereço do site do candidato:

Partido: Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB – (45)
Coligação: NOVA SÃO GABRIEL, A CIDADE DE TODOS
Composição da coligação: PR / PSDB
No. processo: 139-55.2012.6.04.0019 No. protocolo: 234702012
CNPJ de campanha: 15.994.099/0001-61 Limite de gastos: Sobre limite de gastos de campanha 500.000,00

Partido Verde lança candidatura própria à prefeitura de São Gabriel da Cachoeira (AM)

O Diretório Municipal do Partido Verde de São Gabriel da Cachoeira (município a 852 quilômetros de Manaus), em convenção neste final de semana, apresentou sua candidatura própria. Anunciou o nome de André Baniwa, à prefeitura, e de Miguel Baré, a vice, além de homologarem a participação de sete candidatos ao cargo de vereador.

André Baniwa avaliou sobre a situação que passa o município, defendendo propostas do partido. Disse que a sua missão maior será provar que “índio sabe governar”.

“Sou mais indígena e vamos falar muito sobre este povo durante a eleição. Vamos lutar em prol do crescimento de São Gabriel, valorizando o povo, suas culturas e costumes, que são a maior riqueza do município”, declarou.

Os candidatos a vereadores fizeram discursos defendendo o programa do Partido Verde para São Gabriel da Cachoeira e declaram compromissos para lutar por direitos indígenas e cidadãos grabrielenses, destacando-se o direito da mulher pelas candidatas.

Campineira Trip quer comprar mais 16 aviões até 2012

SÃO PAULO – Sediada em Campinas (SP), a Trip Linhas Aéreas, com cerca de 2.100 empregados e que transporta mais de 3,7 milhões de passageiros por ano, detendo 73,2% do de aviação regional, pretende comprar mais 16 aviões até 2012.

A empresa afirma operar hoje com três modelos de aeronaves de até 85 lugares – os turboélices franceses ATR-42 (15) e ATR-72 (15) e jato brasileiro Embraer ERJ-175 (11) – com uma taxa de ocupação de 64%.


As aeronaves da Trip atuam hoje em todas as regiões do Brasil, ligando 17 capitais a mais de 60 cidades, como Carajás, no Pará, São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, Cruzeiro do Sul, no Acre, e Corumbá, no Mato Grosso, e é a única companhia aérea a operar voos regulares para o arquipélago de Fernando de Noronha, na costa do nordeste.

O presidente do conselho de administração da Trip Linhas Aéreas, Renan Chieppe, afirmou que a empresa vai aumentar a sua frota de 41 para 57 aviões até 2012. Em outubro deste ano, a companhia aérea recebeu quatro aeronaves novas – três turboélices franceses ATR-72 e um jato brasileiro Embraer ERJ-175.

O executivo não disse que tipo de aeronave a empresa planeja adquirir nos próximos dois anos, mas afirmou que espera que o faturamento da empresa salte de R$ 700 milhões para R$ 1,2 bilhão já em 2011 e que o câmbio baixo favorece a empresa.

“Temos um mercado interno aquecido e assim deve permanecer no ano que vem. Queremos dobrar a quantidade de linhas que operamos”, disse o executivo. Em 2009, a aérea faturou cerca de R$ 450 milhões e a previsão é que no ano que vem a Trip Linhas Aéreas invista cerca de R$ 226 milhões.

Fonte: DCI

TSE recebe lista de condenados que ficam inelegíveis

Fonte: D24am.com
O Amazonas tem 144 gestores públicos inelegíveis porque tiveram suas contas julgadas irregulares pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e não podem mais recorrer da decisão. Ontem, o presidente do TCU, ministro Ubiratan Aguiar, entregou a lista com os nomes dos inelegíveis de todo o País ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Ricardo Lewandowski. Ao todo, o Amazonas tem 297 condenações porque há gestores condenados mais de uma vez.

De acordo com a Lei das Inelegibilidades (64/90), os que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa, e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver sido suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário, não podem se candidatar a cargo eletivo para as eleições que se realizarem nos oito anos seguintes, contados a partir da data da decisão.

De acordo com a lista, em todo o País 7.854 contas de 4.922 gestores foram julgadas irregulares. Deste total, a maioria provém do Maranhão (728), seguido da Bahia (700), Distrito Federal (614) e Minas Gerais (575).

No Amazonas, a maioria dos nomes listados é de prefeitos e ex-prefeitos do interior do Estado que não conseguiram prestar contas de recursos federais repassados para investimentos nas áreas de educação, saúde e saneamento básico. Mas também aparecem nomes de deputados estaduais e ex-deputados estaduais, assim como o do ex-superintendente da Zona Franca de Manaus, Manuel Rodrigues.

De acordo com o presidente do TCU, a entrega dessa lista acontece há 20 anos. “Esperamos que essa lista possa subsidiar a ação da Justiça Eleitoral no momento em que o País aprova a Lei da Ficha Limpa, lei de origem popular”, afirmou.

Ubiratan Aguiar disse ainda que a Justiça Eleitoral “mais uma vez terá a segurança de que o pleito vai conseguir, com esses dados, expurgar esses gestores que praticaram atos que são condenados em todos os aspectos”.

Em seguida, o presidente do TSE, Ricardo Lewandowski, disse que entregará a lista ao procurador-geral Eleitoral, Roberto Gurgel, para as providências cabíveis, e também a todos os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). “A partir dessa lista, a Justiça Eleitoral decretará, no caso concreto, a inelegibilidade dos maus gestores do dinheiro público”, afirmou.

Lista (Filtro: São Gabriel da Cachoeira / Barcelos / Santa Isabel)

Tribunal de Contas da União
Relação de Responsáveis por Contas Julgadas Irregulares

RESPONSÁVEL                                   CPF
AMILTON BEZERRA GADELHA 075.911.602-49
Deliberação: Acórdão 1691/2007-2ª CÂMARA registrado na Ata 21/2007, em sessão de 26/06/2007
MUNICÍPIO DE SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA/AM (BENEFICIÁRIO); MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA
SOCIAL -MPAS (TRANSFERIDOR)

ANTÔNIO CARLOS FONTES TEIXEIRA 015.194.762-72
Deliberação: Acórdão 0047/2008-1ª CÂMARA registrado na Ata 01/2008, em sessão de 29/01/2008
Município de Santa Isabel do Rio Negro/AM (beneficiário); Fundação Nacional de Saúde ¿ Funasa
(transferidor)

FRANCISCO SOARES DE ARAÚJO 032.586.883-20
Deliberação: Acórdão 1041/2004-1ª CÂMARA registrado na Ata 14/2004, em sessão de 04/05/2004
ESCOLA AGROTÉCNICA FEDERAL DE SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA/AM

HERALDO DE OLIVEIRA GOMES. 034.762.002-72
Deliberação: Acórdão 780/2008-PLENÁRIO registrado na Ata 15/2008, em sessão de 30/04/2008
ESCOLA AGROTÉCNICA FEDERAL DE SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA/AM.

NILSON LIZARDO OTERIO 202.452.702-72
Deliberação: Acórdão 1785/2003-1ª CÂMARA registrado na Ata 28/2003, em sessão de 12/08/2003
EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS – AG. SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA – AM

RUBENS PESSOA DE ALBUQUERQUE 006.936.182-72
Deliberação: Acórdão 016/1999-2ª CÂMARA registrado na Ata 03/1999, em sessão de 04/02/1999
PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTA IZABEL DO RIO NEGRO/AM

RUBENS PESSOA DE ALBUQUERQUE 006.936.182-72
Deliberação: Acórdão 578/2001-2ª CÂMARA registrado na Ata 37/2001, em sessão de 09/10/2001
PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTA IZABEL DO RIO NEGRO/AM

Cozinhando com formigas

Em São Gabriel da Cachoeira, os repórteres Camila Marconato e Francisco Maffezoli Júnior conheceram um povo que gosta muito de peixe, de mandioca, pimenta e formiga!

Começar uma reportagem sobre a culinária do Amazonas na Ponte Estaiada – um cartão-postal de São Paulo – parece estranho. É que ao lado da ponte, passando pela sede da TV Globo  fica um hotel luxuoso, que todo ano recebe chefes de cozinha do mundo inteiro interessados na culinária brasileira.

Neste encontro, uma dupla que veio do Amazonas roubou a cena.

Josefa de Andrade, mais conhecida como Dona Brasi, é índia, dona de casa e cozinheira. Conde Aquino, apelido do chef Salomão de Aquino, é dono de restaurante. Quem os apresenta é um chefe de cozinha de renome mundial: Alex Atala

“A Dona Brasi, que está aqui do meu lado, me encantou com o jeito dela ser e com uma cozinha estupenda”, comenta.

Na bagagem, Dona Brasi e Conde trouxeram peixes, pimentas e até formigas, que geralmente são consumidas in natura.

O uso de formigas na receita dominou a atenção da plateia.

“O Alex está falando que esse cheiro de gengibre que tem na formiga é dela mesmo!”, comenta uma mulher.

“Todo mundo me elogiou, me cumprimentou. Pra mim, isso aí não tem dinheiro que paga”, diz Dona Brasi.

O Globo Rural foi conhecer o trabalho dela em São Gabriel da Cachoeira (AM), perto da fronteira com a Colômbia e a Venezuela. Só se chega ao local de barco ou avião.

Um passeio rápido pela cidade e uma constatação: São Gabriel da Cachoeira, assim como a culinária do Amazonas, é essencialmente indígena: 95% da população é formada por índios.

Todas as manhãs, agricultores e pescadores trazem seus produtos para a única feira da cidade. Nas barracas, os dois tipos de formiga: a saúva e a maniwara. É nesse lugar tão cheio de cor que reencontramos o Conde Aquino e a Dona Brasi.

O Conde nasceu em Mato Grosso do Sul, vive em São Gabriel há 23 anos e tornou-se fã ardoroso dos sabores típicos da região. Um de seus preferidos é o tucupi preto – derivado do tucupi amarelo – que é um caldo extraído da mandioca.

“Os indígenas, há muitos anos, já faziam a redução do tucupi fresco até o ponto de quase um melado, pra que ele possa ter uma vida longa”, conta o Conde.

Dona Brasi também está fazendo a feira: já separou vários produtos pra usar em sua cozinha. Não pode faltar o peixe: o escolhido é a piraíba, também chamada de filhote.

Antes de conhecer as receitas da Dona Brasi e do Conde, vamos atrás das formigas! Comer formiga é tradição em São Gabriel da Cachoeira. Entre as etnias indígenas que vivem no município, uma delas ficou famosa pela habilidade em capturar essas formigas: os Baniwas. Para coletar as formigas, nós entramos na mata acompanhando uma família Baniwa, que entende do assunto.

Além do Seu Luís da Silva, foram com nossa equipe de reportagem, a filha dele, Cristina Silva, o neto Denisson, a mulher Luzia Inácia e o sobrinho Tito. A bióloga Rosimar Fernandes também nos acompanhou.

Os Baniwas preservam sua língua, são pescadores e fazem roças de subsistência, principalmente de mandioca. Eles têm muita intimidade com a mata. Sabem sempre onde conseguir frutas e caça, inclusive as tais formigas.

“Tem ‘dois’ casas de formiga ali”, diz Seu Luís.

Assim que começa a ver ninhos da maniwara na mata, a família afia um galho de árvore e fura o chão. Quando o galho afunda um pouco mais fácil, é  sinal de que ali pode passar uma galeria do formigueiro. Daí é so cavar.

A família se divide. Enquanto Dona Luzia e Seu Luís seguem para procurar outros ninhos, Cristina, Tito e Denisson desfiam a folha de bacaba, uma palmeira da região, para começar a coleta.

As maniwaras mordem o ramo e ficam presas. O Tito vai colocando tudo na panela. Ele diz que elas podem morder e que num dia dá pra pegar 10 quilos de formiga.

Cristina costuma vender um copo cheio de formigas por R$ 1, mas grande parte do que coleta fica mesmo para o consumo da família.

“Come a formiga sozinha ou com beiju, com pimenta”, diz a índia.

Enquanto eles terminam de esvaziar o ninho, uma revelação: a gente acaba de descobrir que a famosa formiga maniwara não é uma formiga, é um cupim.

“O cupim tem a cabeça mais separada, a formiga tem o corpinho como se fossem três partezinhas juntas”, explica Rosimar.

A própria casa da maniwara parece um cupinzeiro.

A saúva, sim, é formiga de verdade! Seu Luís e Dona Luzia localizaram os ninhos, mas capturá-las é tarefa muito mais penosa.

“Essa é brava como eu. Pior que a maniwara”, diz o casal.

As saúvas são muito mais rápidas e agressivas. Seu Luís espeta um galho no formigueiro. Elas sobem. Em instantes, o estrago: ele é ,ordido pela formiga.

A saúva capturada vai ser o almoço da família Silva. Seu Luís é o cacique da aldeia onde vive. Mora numa maloca bonita com toda a família. Lá, a saúva é socada no pilão, com farinha d’água, sal e pimenta. E o almoço está servido.

Deixamos a aldeia e seguimos para a casa da Dona Brasi. Ela nos ensina a fazer mujeca e quinhapira. Mujeca é uma sopa de peixe e quinhapira, um caldo de peixe com pimenta. “Quinha” significa pimenta, e “pirá”, peixe.

Primeiro, a quinhapira: Dona Brasi coloca seis pimentas graúdas e desidratadas para ferver em meio litro de tucupi fresco, aquele amarelo, e sal a gosto. Depois, vem a piraíba. A quinhapira ferve por 15 minutos. No final, ela acrescenta cebolinha e desliga o fogo. Está pronta.

Agora, a mujeca. Numa panela grande, Dona Brasi coloca uma colher e meia de azeite, meia cebola grande picada, três copos de água, sal e um quilo de piraíba. O peixe cozinha até ficar bem macio.

“Eu vou amassando com o garfo até ficar bem amassadinho. Daí que eu vou colocar outros temperos”, explica Dona Brasi.

Tomate e pimentas de cheiro, cebolinha, coentro. Depois, farinha de mandioca umedecida, para “engrossar a sopa”.

Para preparar o molho, Dona Brasi amassa uma pimenta amazônica chamada murupi, muito ardida. Depois, coloca tucupi preto, cebolinha, bastante formiga saúva e mais um pouco de tucupi.

“Formiga vai bem com tudo”, garante ela.

A mujeca sozinha é uma sopa de peixe bastante saborosa, onde se destaca mesmo o sabor do peixe. O molho tem o ardido da pimenta e um gostinho de menta, hortelã. A saúva tem um sabor bastante diferente da maniwara. A maniwara tem um gostinho de terrra e a saúva tem um ardidinho, um saborzinho de menta.

Agora, a quinhapira, que é mais ardida. Não é a toa que o nome é “peixe com pimenta”.

“A quinhapira, se não tiver pimenta, não é quinhapira, não tem sabor nenhum, O peixe fica com gosto ruim”, diz Dona Brasi.

Vendem-se mujeca e quinhapira em tudo quanto é canto da cidade e a qualquer hora do dia, mas é só à noite que se pode visitar o restaurante do Conde, onde ele costuma servir pratos mais elaborados, sempre com toque regional. O prato famoso da casa é o “Ralo Baniwa”, o mesmo que o Conde apresentou no evento em São Paulo.

“O ralo é um instrumento que as populações indígenas usam para ralar a mandioca. Um ralador. Os Baniwas têm um acabamento mais interessante, me chamou a atenção. Por isso eu coloquei o nome do prato Ralo Baniwa”, explica.

O filé de piraíba, empanado na farofa que leva castanha, ganha a aspereza do ralo. Para acompanhar, molho de tucupi preto e formiga saúva. Além do molho, acompanham o prato um purê de banana pacovam e araçá, frutas comuns na região, e uma farofinha.

O prato fica enfeitado. É bonito de ver! E de comer?

É um mundo de sabor e textura. Tem o adocicado do purê, o agridoce com o toque de menta que a formiga saúva dá, a crocância e a maciez do peixe. É uma coisa muito diferente e saborosa.

Esse gosto da saúva que alguns acham semelhante ao do gengibre, do cravo, ou parecido com a menta ou a hortelã, se deve ao ácido fórmico presente no corpo dessas formigas.

Fonte: Globo Rural

Vice de Garcia, fala tudo!

“O prefeito de São Gabriel da Cachoeira, minha terra querida, é um mentiroso contumaz”. Com essas palavras, o vice-prefeito de Gabriel, André Baníwa, rechaçou a versão apresentada pelo prefeito Pedro Gacia que o acusou de ter forjado um abaixo-assinado contra ele. “Um prefeito que não vai às comunidades há muito tempo e que vive tomando cachaça em Manaus gastando os recursos públicos, não pode inventar uma estória dessa porque todos sabem que é mentira”, disparou Andrá Baníwa, que resolveu revelar pela primeira vez o “caráter” de Pedro Garcia.
Segundo André, os dois fizeram um acordo político celebrado pelos movimentos indígenas da região de que o vice-prefeito cuidaria das pastas de Educação e Produção Rural. Enquanto isso, Perdro Garcia cuidaria do resto. O acordo foi rompido no dia da posse, quando Pedro Garcia nomeou os secretários da pasta sem sequer consultar o vice. Ao mesmo tempo, entregava a prefeitura para uma eminência parda que levou de Manaus pessoas chaves para controlar a prefeitura. “Essa pessoa, essa eminência parda, que toma todas as decisões na prefeitura por meio de seus comandados, enquanto o prefeito percorre as praças de Alimentação de Manaus tomadas estoques e mais estoques de cerveja”, afirma André.

Festribal: a festa dos índios

Eron Bezerra *

O XV Festribal reuniu por uma semana, em São Gabriel da Cachoeira, as 22 etnias “indígenas” que habitam o alto rio negro. Mais de 5 mil pessoas acompanharam com redobrada atenção um desfile da genuína manifestação cultural daquela que é, sem dúvidas, a maior festa indígena do país.

Participei do evento, juntamente com a Deputada Vanessa Grazziotin, a convite das lideranças indígenas da região, de vários vereadores aliados e do prefeito Pedro Garcia, índio Tariano.

O município de São Gabriel da Cachoeira tem aproximadamente 32 mil habitantes, dos quais 85% são indígenas. O município tem como língua oficial o português e mais três línguas co-oficiais – Nheengatu, Tukano e Baniwa – por força da lei 145/2002, aprovada pela Câmara de Vereadores do município.

Na prática essas são as línguas utilizadas pela maioria da população daquela região na comunicação cotidiana. O Nheengatu, por exemplo, é uma espécie de língua geral da Amazônia. Pertence a subfamília tupi-guarani e é falada por mais de 30 mil pessoas, apenas no alto rio negro.

A particularidade do Festribal, aquilo que lhe torna peculiar, não é apenas a magnitude do evento. Sua singularidade reside no fato de que o espetáculo não é uma encenação da cultura indígena e sim uma demonstração ao vivo dessa rica e desconhecida cultura, lamentavelmente desconhecida pela maioria do povo brasileiro.

A disputa central, por uma questão organizativa, ficou restrita a Tukanos e Barés, que procuraram traduzir a cultura de várias outras etnias, como Arapasso, Baniwa, Dessana, Maku, Siriano, Tariana, Yanomami, etc.

Esse aparente caldeirão cultural, todavia, vive em harmonia. E a razão dessa harmonia tem causas objetivas, dentre as quais se pode destacar: demarcação das terras indígenas; respeito às suas manifestações culturais e integração plena do ponto de vista profissional e político dessas etnias.

Essa integração também pode ser mensurada em atos concretos. A maioria dos soldados do exército brasileiro que servem naquela região pertence a alguma dessas etnias. Gestores de órgãos públicos como FUNAI, professores, radialistas e dezenas de outros profissionais igualmente são índios. Sem mencionar que boa parte dos Vereadores e o próprio prefeito são de alguma etnia típica daquela região. Creio que o alto rio negro é um bom laboratório para quem honestamente quer compreender a nem sempre pacifica convivência entre povos e etnias nesse imenso Brasil.

* Engenheiro Agrônomo, Professor da UFAM, Deputado Estadual Licenciado, Secretário de Agricultura do Estado do Amazonas, Membro do CC do PCdoB.

Brasil Sabor 2010

Esse ano o Brasil Sabor, que acontece em 300 cidades brasileiras conta com a participação de São Gabriel. O prato representando a cidade é o Ralo Baniwa.
É um prato de origem índigena, preparado dentro dos moldes da cozinha internacional, mas com toque de cozinha rionegrina contemporânea.

Ralo Baniwa

Onde Provar:

La Cave du Conde
Avenida Brig, Eduardo Gomes, 444- Bairro Boa Esperança
Telefone: 97-3471-1738/8117-6372
São Gabriel da Cachoeira – AM
Terça a Sábado das 19:30h as 23:30h ( Jantar). Para o prato deve ser solicitada reserva antecipada.

Quanto Custa:

R$ 40,00 para 1 pessoa.

Receita:
Ingredientes

Farinha Seca; Castanhas enroladas; Pimenta murupi; cebolinha e coentro; filé de Piraíba; Laranja; Azeite; Sal; Tucupi Preto; Formiga Saúva; Molho Shoyu; Vinagre balsâmico; Cachaça envelhecida; Banana Pacovã Verde; Araçá; Requeijão; Manteiga ( 1 colher).

Modo de preparo

Preparo do Filé: Perfume o filé de piraíba com laranja, sal e azeite. Reserve. Pegue a farinha, castanha, coentro, cebolinha e pimenta murupi e faz uma farofa em frigideira profissional. Faz uma crosta sobre o filé com essa farofa para untar e grelhar. Reserve. Pegue a banana cozida com sal e azeite esmague com o purê, adicione o araçá batido e vai amassando até ficar homogênea todo e finalize acrescentando o requeijão. Pegue o tucupi coloque na panela e coloque a formiga saúva (limpa e higienizada). Montagem do Prato: Pequena porção de purê adicione 1 ou 2 pedaços de filé de piraíba e coloque o molho de tucupi. Pronto para degustação.

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